Processo de criação em malabarismo
Compartilho aqui, em forma de documentação, o processo de investigação em malabarismo que comecei a desenvolver este ano. Registros em vídeo, fotografias, desenhos, rascunhos… documentações das relações possíveis entre bolas e canos.
‘CANOS’ é uma proposta cênica de malabarismo contemporâneo que procura explorar formas de relação entre bolas de malabares e canos, objetos não-convencionais de manipulação. Busco, através deste processo de criação, construir caminhos originais de criação e manipulação de objetos. O projeto é conduzido por mim, Uatumã Fattori de Azevedo, é acompanhado pelo olhar externo de Tássio Foli e estruturado, até o momento, a partir de laboratórios de criação em estúdio e de uma performance de média duração para espaço público não-convencional, apresentada na MONTRA – Mostra de Arte Contemporânea de Vila do Conde e FIS – Festival de Artes Performativas a Solo.
O vídeo a seguir é um apanhado de caminhos pelos quais já passei.
Abaixo é possível acompanhar todo o desenvolvimento do processo criativo em ordem cronológica, organizado a partir das atividades exercidas pelo projeto, como exercícios de investigação, residências de criação, treinos pontuais, reflexões artisticas, entre outros.
Início do processo
Compartilho abaixo o registro da primeira forma com a qual interagi com os canos, utilizando-os como estruturas para realizar o ‘shower‘, um dos mais conhecidos padrões do malabarismo.
Achei que as diferentes estruturas de canos criaram imagens interessantes e que a construção e reconstrução dessas estruturas, variando seus tamanhos e formatos, pode ser um caminho interessante de investigação.
2° dia de criação
Canos como cenário e objeto malabarístico

Tenho me interessado pela possibilidade de criação de um cenário interativo, aproveitando das potencialidades visuais que os canos proporcionam. Os objetos, que em princípio eram ferramentas para interação com as bolas, começam a ganhar o status de objetos malabarísticos. Nasce aqui um manipulador de canos?
Os vídeos compartilhados são registros do processo de criação, vídeos crus, captados durante a descoberta de caminhos de investigação. Tenho a tendência de apenas compartilhar processos ‘acabados’, produtos que já trazem consigo uma ideia de consumo, de ítem a ser consumido e (se tudo der certo) apreciado. Porquê não compartilhar registros, acontecimentos enquanto acontecem? Processos inacabados ou que só existiram por um momento?
Caminhos
Pretendo, durante este processo de investigação, que parte do processo de relação com os canos seja o de encontrar formas de montar caminhos através de estruturas de canos em cena.
Desde criança adoro aqueles vídeos onde é criado uma estrutura para que um movimento inicial desenrole um efeito em cadeia, como as estruturas com peças de dominó, onde uma peça acarreta a derrubada das outras. Gostaria de, nesse projeto, criar uma relação entre as bolas e os canos que funcione a partir desse princípio.
Residência no CAMPUS
O projeto realizou uma residência autônoma de criação no CAMPUS Paulo Cunha e Silva, espaço de residências da Câmara Municipal do Porto. Com duração de duas semanas, o processo teve como objetivo principal a estruturação da primeira apresentação pública do projeto, intitulada ‘Malabarismo in vitro“. A performance fez parte das atividades do montra – Mostra de Arte Contemporânea de Vila do Conde e do FIS – Festival de Artes Performativas a Solo.
Abaixo encontram-se algumas fotos do processo criativo, feitas pelo fotógrafo e artista visual Pedro Ícaro.





Malabarismo in vitro
O projeto realizou, no dia 26 de outubro, sua primeira apresentação pública. Uma performance de aproximadamente 22 minutos apresentada no Mercado Municipal de Vila do Conde, como parte das atividades do montra – Mostra de Arte Contemporânea e em parceria com o FIS – Festival de Artes Performativas a Solo.
A apresentação foi uma etapa importante para esse início do processo criativo, pois pude organizar o material desenvolvido até então e testar a proposta artística do projeto com o público.
Durante a criação da performance, a proposta dramatúrgica do trabalho foi solidificada, e decidi por investir na construção de uma estética fabril/industrial para o espetáculo. Essa proposta será explorada nas próximas etapas do trabalho e circunscreverá o desenvolvimento do processo de investigação.







Malabarismo maquínico
Hoje aproveitei um dia de estúdio para deixar-me influenciar pela proposta de movimentos maquínicos, mecânicos e repetitivos. Tentei imaginar e construir similaridades com engrenagens mecânicas, desenvolver movimentações cíclicas e repetitivas, entre outras…
O vídeo a seguir é um registro de parte do material experimentado.
Referências imagéticas
Compartilho algumas referências que tenho encontrado e estão me ajudando na construção da identidade imagética do trabalho (cor, cenário, figurino, iluminação, etc).
Palavras-chave: indústria; fábrica; oficina; canos; manufatura; linha de montagem.
É importante indicar que, apesar de propor dialogar com uma atmosfera fabril, o objetivo do projeto não é mimetizar um trabalhador industrial, representando-o em cena, mas originar um trabalho que, através do malabarismo, possa utilizar de ideias como repetição, mecanicidade e reflexões sobre o mundo do trabalho – como exemplo a codificação e padronização dos corpos e da vida, sobre os limites do corpo e da mente em ambientes laborais, entre outros – para engajar, desafiar e dar suporte ao processo de investigação/criação. Em suma, não pretendo construir um enredo linear que mimetize e represente um universo fabril, mas me engajar nessa “ambientação” de modo que o resultado desse processo seja a minha experimentação nessa temática.







Técnica
Deixando me influenciar pela ideia de maquinismo, percebo que a maquinação não está só em movimentos mecânicos e repetitivos mas também nos fluxos contínuos de movimentação, criando constrastes entre os diferentes estados corporais.
Residência Instável Centro Coreográfico
O projeto esteve, em março de 2025, em uma residência autônoma nas dependências da Instável Centro Coreográfico, no Teatro Municipal do Porto – Campo Alegre. Os trabalhos foram acompanhados pelo olhar externo de Tássio Foli, artista criador brasileiro que passou a integrar o projeto após sua chegada na cidade do Porto.
A residência teve como foco principal a organização e catalogação do material criativo desenvolvido até então. Dentro deste processo, identificamos diversificadas propostas cênicas, dinâmicas de relação com os objetos e possibilidades de trabalhar com a técnica do malabarismo, algumas das quais é possível acompanhar nos vídeos publicados abaixo.

O vídeo abaixo é a seleção de algumas das propostas de manipulação de canos criadas durante a residência. A maior parte do material surgiu em exercício criativos de improvisação, orientados por Tássio.
Outro conteúdo investigado foi a manipulação de canos no chão. A dinâmica, já brevemente explorada em outras ocasiões, foi melhor desenvolvida e aprofundada na residência.
Por fim, compartilho aqui o fragmento de outro exercício de improvisação baseado em uma dinâmica que nominamos de L4hL, que consiste na manipulação de uma bola dentro de um padrão básico de movimentação, inspirado em padrões de movimentos mecânicos de engrenagens e pistões.
Equilíbrio com canos
Fiz recentemente um exercício de investigação de equilíbrio com os canos, e compartilho aqui algumas das propostas descobertas.
Achei interessante que os canos, por serem feitos de plástico liso, possibilitam escorregar um no outro e criar equilíbrios dinâmicos.
Canos e bolas
Fragmentos de exercícios investigativos de formas de interação entre canos e bolas.
Técnica
Sigo desenvolvendo minha prática de malabarismo com bolas, trabalhando com a criação de um repertório de truques e sequências que possam compor a performance.
Malabarismo de contato
Registro de possibilidades de trabalhar com o conceito de rolamento na relação entre bolas e canos.
